Matéria por Betto Rossatti
Os últimos dias foram de "8 ou 80" marcou o clima no Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, com temperaturas que despencaram e chuvas intensas. No entanto, segundo o Presidente da Camisc, Nelson De Bortoli, a geada rigorosa que atingiu a região nos últimos dias pode ter trazido benefícios inesperados para a agricultura local.
Nos Campos de Palmas, por exemplo, a sensação térmica chegou a impressionantes -13°C negativos de sensação térmica ambiente, com termômetros marcando -6°C na relva. A geada intensa persistiu por dois dias consecutivos, impactando principalmente as áreas mais elevadas.
Nosso presidente enfatizou a importância do frio para culturas como a maçã, sendo Palmas a maior produtora da furta no estado do Paraná, que necessita de cerca de 300 horas abaixo de 10°C para um bom desenvolvimento. "Frio na hora certa, tudo certo", comentou.
Geada como "Esterilizadora Natural"
Apesar das preocupações iniciais, o presidente da Camisc classificou a geada como "providencial". Ele explicou que, embora algumas lavouras de aveia em estágio inicial possam ter sido afetadas, o milho e o feijão plantados até fevereiro e março, respectivamente, colheram muito bem. A geada também contribuiu para a redução da umidade do milho que ainda está no campo.
O maior benefício, no entanto, reside no controle natural de pragas e doenças. De Bortoli relatou que, durante a colheita do milho safrinha, observou uma grande quantidade de cigarrinhas. Após a geada, a presença do inseto diminuiu drasticamente. "Ela morre, ela não aguenta essa temperatura negativa, então ela acabou com a cigarrinha que tinha", afirmou.
Além da cigarrinha, a geada também atuou como um "esterilizador" natural contra a ferrugem e ervas daninhas hospedeiras. "O inóculo da ferrugem morreu, a soja guacha que tinha morreu, todas as ervas daninhas que eram hospedeiras de ferrugem morreram, e a cigarrinha também morreu", destacou, prevendo um ano mais favorável para as culturas de inverno, especialmente o trigo, que deve ter um dos melhores anos da história.
Chuva Abençoada, apesar do volume
A semana também foi marcada por volumes significativos de chuva. Mangueirinha no Sudoeste do Paraná, registrou 180 milímetros em 48 horas, enquanto Pato Branco teve uma média de 70 a 80 milímetros. Os rios da região, como o Pato Branco e o Chopim, quase transbordaram saindo da caixa, mas, em geral, a chuva não causou grandes prejuízos.
Nelson De Bortoli pontuou que o volume de chuvas de junho era esperado para maio, o que, de certa forma, foi positivo, pois permitiu a colheita do feijão com qualidade. Apesar do solo encharcado dificultar a colheita do milho e o pisoteio do maquinário, a chuva veio de forma mais calma, sem os transtornos observados em outros episódios de precipitação intensa.
A expectativa é de que, após um período de tempo mais instável até terça-feira, a região experimente cerca de 10 dias de sol, o que favorecerá a colheita do milho com menor umidade e a finalização do plantio do trigo. A janela ideal para o plantio do trigo na região de Clevelândia e Palmas se estende até o final de julho.
Cenário de mercado e desafios para o produtor
No que diz respeito ao mercado, o presidente da Camisc analisou um cenário de baixa para as principais commodities no segundo semestre. A colheita de uma safra "histórica" de milho no Brasil, do Sul ao Norte, tem pressionado os preços.
Já a soja, que registrou queda no último dia 21 de junho, é impactada pela estratégia da China. Segundo De Bortoli, o farelo de soja está tão barato que a China tem optado por adquirir farelo da Argentina em vez de soja americana, buscando custos mais baixos. "Logicamente estamos dependentes da China para ter um preço melhor da soja e, infelizmente, estamos vivendo isso", lamentou.
O momento é considerado "delicado para a agricultura" devido à queda do milho e da soja. Apesar da boa produtividade, a rentabilidade é um desafio. De Bortoli citou que a perda de valor do milho pode chegar a R$ 5.000 por alqueire em comparação com o preço de R$ 72. Ele destacou que a Camisc tem mantido um preço superior ao praticado no Norte do Paraná e em Pato Branco, mesmo que isso signifique uma menor margem para a cooperativa, visando beneficiar o produtor.
Ainda assim, a expectativa é de que a colheita do milho transcorra bem, com grãos de excelente qualidade. A umidade baixa e a ausência de chuvas nos próximos dias são cruciais para evitar problemas como o acamamento das plantas.
"O mês de julho vai ser um mês com menos chuva, um mês onde o agricultor possa plantar o trigo", concluiu Nelson De Bortoli, enfatizando que o solo frio e a ausência de excesso de umidade serão fundamentais para a cultura do trigo prosperar.